O Mundo em Movimento

O país do cross urbano

Joel Leite

Quarto mercado mundial, bola da vez, o maior produtor entre os emergentes, um dos mercados mais promissores do mundo,o Brasil no entanto, não produz um único carro grande.

Já foi diferente. A GM fabricou aqui o Omega e a perua Suprema e até o luxuoso Alfa Romeo já foi feito no Brasil. O Monza foi por três vezes o mais vendido no País.

Mas em tempos de congestionamentos gigantescos e preocupação com consumo e emissões, será que o carro pequeno não seria mesmo a opção mais indicada?

Gostando ou não, a verdade é que o Brasil se consolida como um fabricante de carros pequenos e o Salão do Automóvel deste ano confirmou essa tendência: a maioria dos lançamentos, dos protótipos apresentados, das idéias propostas pelos projetistas da indústria recaíram nessa categoria de veículos.

O Brasil está se especializando no carro pequeno de estilo fora de estrada, que muita gente chama de cross urbano. É o carro com aspecto valente, pneu de uso misto, suspensão elevada, posição alta de dirigir, para choques salientes, rack no teto.

Opção barata e competente tanto para as estradas de terra quanto para enfrentar os centros urbanos, onde o motorista tem que vencer os obstáculos e as ciladas das cidades: lombadas desproporcionais, buraqueira, remendo mal feito no asfalto e as enchentes, que fazem do dia a dia do motorista uma verdadeira aventura.

Pioneiro nesse segmento, o Ecosport foi renovado, ficou com um aspecto mais comportado, mas muito mais moderno e manteve as características que o consagrou e que tanto agrada o motorista urbano, pois só com um carro como esse ele consegue transpor as dificuldades encontradas nas cidades brasileiras: o cross oferece melhores condições para enfrentar as valetas e lombadas, transpor ruas alagadas e, por ser mais alto, coloca o motorista numa posição privilegiada. Dá ao motorista uma sensação de maior segurança e controle no trânsito.

A Fiat criou toda uma linha cross para seus modelos e fez sucesso. Em alguns carros, as versões especiais – Adventure – vendem mais do que o modelo original.

Para as montadoras é uma grande jogada de mercado. O investimento na adaptação do carro normal num cross é pequeno considerando a margem de lucro auferida.

Hoje o mercado oferece várias opções ao consumidor e, pelo que se viu no Salão, esse segmento está em franco crescimento, com mais carros adaptados e também com alguns feitos especialmente para esse tipo de uso.

O conceito da Volkswagen, o Taigun, é um bom exemplo. Tendo como referência o Tiguan,o carro tem motor 1.0 turbo e uma proposta de um carro tipicamente urbano, para o uso no dia a dia, com características de um fora de estrada, mas feito para rodar na cidade.

A Volkswagen apresentou ainda o Cross Coupe, um crossover para quatro pessoas, híbrido, que une um motor turbo TSI, com injeção direta de combustível, com dois motores elétricos, um localizado na parte frontal e outra na parte traseira, que produzem 150 cv de potência e 21,4 kgfm de torque, e 115 cv e 18,3 kgfm de torque, respectivamente.

A Suzuki prepara duas opções no segmento dos cross urbano, o Jimny e o SX4.

A Nissan vem com o Extrem, um crossover feito sobre a plataforma de um compacto – no caso, a plataforma V do March/Versa, com 3.850 mm de comprimento,1.765 mm de largura e1.530 mm de altura e a Renault com o Captur, que tem motor a diesel de 1,6 litro com dois turbos e 160 cv.

A Hyundai não perdeu tempo. Mal lançou o hatch do HB20 e já apresentou no Salão o HB20X, exatamente a opção cross para o modelo coreano.

Para completar, a Honda vai lançar o Fit Twister, uma versão voltada ao público jovem, com o apelo fora de estrada, mas sem mudança técnica, apenas visual.

E a Chery mostrou o carro conceito, o TX, que virá com motor TGDI (Turbo Gasoline Direct Injection) e câmbio CVT (continuamente variável).