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Consumidor aceita, mas tem medo da tecnologia

Joel Leite

28/06/2019 11h01

 

Pesquisa diz que é grande a aceitação da nova mobilidade, mas consumidor se mostra preocupado com a segurança

Autonomous drive technology – Complete system solution

Um estudo do instituto de pesquisa Capgemini, da França, revelou que, em um ano, 25% dos consumidores europeus gostariam de trocar seus veículos por carros autônomos e nos próximos cinco anos a preferência pela direção autônoma deverá dobrar, isso porque o cenário também está mudando. Muitas montadoras, principalmente na Europa, já testam e projetam lançamentos de carros autônomos para os próximos anos.

A pesquisa mostra que 73% das pessoas preferem o carro autônomo pela eficiência de combustível, 71% por causa da redução das emissões e 50% acreditam que o carro autônomo pode proporcionar economia de tempo.

Mas Paulo Cardamone, da Bright Consulting, avalia que o consumidor ainda não aceita o carro elétrico, muito menos o autônomo e por isso acredita que essas tecnologias vão demorar a fazer parte da cultura da mobilidade.

Ele acha que a aceitação deverá acontecer de forma lenta e regionalizada. O carro autônomo, por exemplo, deverá servir a mobilidade em ambientes controlados, em rotas restritas, como a ligação entre aeroporto- hotel.

"É difícil imaginar que o mundo todo vai andar de carro autônomo, considerando todas as diversidades regionais", disse.

Mais do que o problema regulatório, a dificuldade é ética e não técnica, conforme Cardamone.

"Como agir em situações de risco? Isso depende da cultura do país. É uma situação complicada do ponto de vista ético um carro funcionar sozinho".

Outro aspecto considerado pelo consultor que deve atrasar muito a implantação dessas novas tecnologias no Brasil é o custo. Ele considera que a economia do uso da eletricidade em relação aos combustíveis para carros a combustão não é tão grande e em alguns casos não compensa.

Cita a Alemanha, onde um carro elétrico gastaria mais do que um carro a álcool, considerando o consumo fonte-roda, isto é: o custo (e as emissões) não apenas do consumo do carro, mas de todo o processo de produção da energia. È preciso considerar a produção desde a retirada do óleo bruto do poço de petróleo até o tanque do carro. Na Alemanha e na China, entre outros países, a produção da energia elétrica é cara e poluente. Ao contrário do Brasil que a obtém por usinas hidroelétricas, naqueles países ela é produzida pela queima do carvão: além de não ser sustentável, a produção de carvão é mais cara ainda que a gasolina.

De qualquer forma, a pesquisa Capgemini revelou que o sentimento do consumidor europeu é de otimismo, 56% deles estariam dispostos a pagar até 20% a mais por um veículo autônomo em relação ao carro padrão.

Na verdade, a percepção da mobilidade está mudando rapidamente. Os sistemas de carona, carro compartilhado, aplicativos de transporte, bicicletas e patinetes de aluguel já são realidade mesmo em países periféricos. Mas a questão da segurança amedronta mesmo os mais otimistas. Nada menos do que 73% dos entrevistados são reticentes com segurança do veículo autônomo e esse é o maior impasse para a aceitação da tecnologia.

 

 

Joel Silveira Leite

Joel Silveira Leite é jornalista e pós graduado em Semiótica e Meio Ambiente. Diretor da Agência AutoInforme, responde pelos sites AutoInforme e EcoInforme. Apresenta o Boletim AutoInforme nas rádios Bandeirantes, Band News e Sulamérica Trânsito. É colunista em várias publicações.

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