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Joel perdeu o barco

Joel Leite

13/03/2018 13h44

DIÁRIO DE BORDO – dia 5

O jornalista não embarcou na balsa do Uruguai para a Argentina, mas os demais integrantes do projeto seguiram rumo a Pedro Luro, por uma estrada cinematográfica, onde descobrimos que o hotel escolhido por Amyr faliu

Primeiro veio o WR-V. Depois, os dois HR-V. Faltou um: o WR-V de Joel. Pela janela da passarela de acesso à embarcação, o restante da equipe viu o idealizador da viagem Honda – Pra Lá do Fim do Mundo ser barrado no Buquebus. Até o momento, doze horas depois do ocorrido, não se sabe exatamente o que aconteceu.

Fato é que Joel perdeu o barco. Ficou em Colônia do Sacramento, no Uruguai, enquanto Amyr Klink embarcou no ferryboat que cruza o rio da Prata com destino a Buenos Aires. Joel estava sem o voucher da travessia. Talvez até o fim deste texto tenhamos notícias de Joel.

O dia havia começado com um passeio pelas ruas históricas de Colônia. Fundada há 338 anos pelos portugueses, é a cidade mais antiga do Uruguai. Um vento gelado – vindo do sul, segundo Amyr Klink – fez com que pela primeira vez os casacos saíssem das malas. Enquanto Joel falava para Amyr curiosidades históricas sobre Colônia, o navegador revelou que, apesar de ser sua primeira vez ali, moraria na cidade. “Cidade limpa, onde as casas ficam abertas. Não tem muros, não tem violência”, justificou.

Pareceu uma espécie de encantamento à primeira vista. Amyr até então só conhecia Colônia por outros ângulos – do mar, durante suas viagens para a Antártica.

O navegador fez questão de conhecer a pequena marina de veleiros, ao lado do centro histórico, e acompanhou a equipe na caça por veículos antigos abandonados pelas ruas de paralelepípedo, marca registrada da cidade uruguaia. Recheados com flores e plantas, enfeitam as ruas da cidade. Banhada pelo rio da Prata, Colônia lembra Paraty, no Rio de Janeiro, cidade adotada por Amyr e onde estivemos para apresentar os carros da expedição ao navegador.

Na entrada da balsa é que se deu o quiproquó com Joel. O Buquebus é uma balsa gigante. Tem 125 metros de comprimento e capacidade para 1.200 pessoas e 240 carros. Viaja a 42 nós, o equivalente a 78 km/h. A mudança de país leva pouco mais de 60 minutos. Viaja-se em poltronas como as de ônibus. Ou de pé. Ou fazendo compras no free-shop. A dica é entrar cedo e conseguir um lugar nas mesinhas anexas às cafeterias, que servem não mais que sanduíches de segunda esquentados no micro-ondas. Vale o visual do rio marrom pela janela. O Buquebus divide a água com pequenas embarcações e até com a turma do windsurfe.

Os carros viajam embaixo e os passageiros não têm acesso a eles durante a viagem. Recomenda-se pegar o necessário antes de fazer os trâmites de embarque e a passagem pela alfândega. Por necessário, entende-se também o ticket de embarque do carro. Provavelmente foi esse o documento não apresentado por Joel na hora de levar o WR-V a bordo. Já já saberemos o que aconteceu com o jornalista.

A passagem por Buenos Aires foi rápida. Seguimos direto para a icônica Ruta 3, que sai da capital argentina e segue até Ushuaia, 3.060 quilômetros depois. A cidade, conhecida equivocadamente como “fim do mundo”, é o nosso destino antes de irmos para Puerto Toro, esta sim a cidade mais austral do planeta. Nosso objetivo no dia é rodar 800 quilômetros até Pedro Luro, onde águas termais com propriedades minerais únicas fazem a alegria dos viajantes. Faziam, na verdade.

 

Veja como foi o quarto dia

Veja como foi o terceiro dia

Veja como foi o segundo dia

Veja como foi o primeiro dia

Joel Silveira Leite

Joel Silveira Leite é jornalista e pós graduado em Semiótica e Meio Ambiente. Diretor da Agência AutoInforme, responde pelos sites AutoInforme e EcoInforme. Apresenta o Boletim AutoInforme nas rádios Bandeirantes, Band News e Sulamérica Trânsito. É colunista em várias publicações.

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