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DIA 17 - 7.437 quilômetros depois, a conquista de Lima 

Joel Leite

14/08/2019 17h02

Trajeto                 Chala (Peru) – Lima (Peru)

Terreno                asfalto

Temperatura        15°C a 31°C

Altitude               0 a 50 metros

Com os WR-V e as X-ADV em perfeitas condições, passamos pelas linhas de Nasca, lançamos a água do Atlântico no Pacífico e desembarcamos na capital peruana

 

Estava escuro quando chegamos ontem à Puerto Inka, a baía diante do Pacífico onde estacionamos os WR-V e encontramos um hotel para dormir. Não dava para enxergar nada, não dava para ver a paisagem que nos cercava. Só hoje pela manhã, depois de um banho frio – a água quente durou três minutos – e de um café da manhã com um suco do mamão papaia mais doce do mundo, nos demos conta da beleza da praia de areia preta recheada por rochedos marrons diante de um mar bravo. De quebra, esse teco do litoral sul do Peru, na altura do quilômetro 610 da icônica rodovia Pan-americana, oferece um sítio arqueológico com ruínas de uma vila inca.

Amyr Klink desceu a pé para a praia. Sujou as botas novas sem dó. Joel Leite sacou do porta-malas do Honda WR-V o galão da água coletada no primeiro dia da viagem, em Paraty, para finalmente unirmos simbolicamente os oceanos Atlântico e Pacífico. Ao lado de Flavia Vitorino, lançaram dois litros de água do oceano que banha a costa leste da América no oceano que banha a costa oeste do continente, que, diga-se, é menos salgado.

A brincadeira selou o fim da nossa jornada para o outro lado da América. Amyr e Joel, os comandantes da expedição, se abraçaram e abraçaram a todos. Missão cumprida.

A comemoração durou meia hora. Pela frente, ainda havia mais 500 quilômetros de Pan-Americana rumo norte até Lima, nosso destino real. E no caminho, mais uma atração de primeira linha na lista de qualquer viajante: as linhas de Nasca, aqueles desenhos imensos gravados no solo e nas encostas de montanhas. A melhor maneira de ver as gravuras na terra é sobrevoá-las de avião, mas boa parte delas fica perto da estrada e pode ser vista desde um mirante a 50 metros de altura.

Os 4 soles cobrados para subir a escadaria são muito pouco perto do privilégio de ver os desenhos –mesmo que apenas dois (a árvore a e as mãos) entre as centenas encontradas ao longo de 80 quilômetros da pampa de Jumana. Teriam sido feitos pela civilização Nazca (com z) entre os anos 400 e 650 d.C. para que seus deuses, lá no céu, pudessem vê-los – é apenas uma das teorias. Tem linhas geométricas, animais (macaco, aranha, peixe, colibri…), além de figuras humanas, como um enigmático "astronauta". Dá vontade de entrar em um avião e sobrevoar toda a região.

A partir dali foram mais 400 quilômetros até Lima, com direito a uma parada policial, uma tempestade de areia, que limitou a visibilidade, e um mini acidente – a 170 quilômetros da bandeirada final, um dos WR-V passou por cima de um objeto até o momento não identificado no meio da pista, talvez os restos de um pneu. O para-choque se soltou, foi preciso prendê-lo com uma fita. Susto superado.Foi o primeiro episódio do tipo ao longo da viagem. Outro probleminha, foi um pneu furado.

É muito pouco problema em se tratando de três carros que rodaram 7.437 quilômetros desde a saída de Paraty, 17 dias atrás. Ainda mais quando se rememora os diversos tipos de piso e todas as condições adversas encontradas ao longo da viagem: teve chão de asfalto, de terra, de areia, de pedra, de sal, teve buraco, teve travessia de rio. As temperaturas variaram de -15 a 32°C. As altitudes também exigiram jogo de cintura dos WR-Ve das X-ADV – saímos do nível do mar e subimos aos 4.500 metros de altitude. As distâncias percorridas por dia variaram de 100 a 850 quilômetros.

Foi um teste de verdade, duro, de vida real, para os carros produzidos na nova fábrica da Honda em Itirapina, no interior de São Paulo, e para as motocicletas importadas do Japão. Chegamos de alto astral em Lima. Prontos para a próxima e com a certeza de que seu Honda na garagem pode te levar para onde você quiser.

 

Veja como foi o primeiro dia da viagem

Veja como foi o segundo dia da viagem 

Veja como foi o terceiro dia da viagem

Veja como foi o quarto dia da viagem

Veja como foi o quinto dia da viagem

Veja como foi o sexto dia da viagem

Veja como foi o sétimo dia da viagem

Veja como foi o oitavo dia da viagem

Veja como foi o nono dia da viagem

Veja como foi o décimo dia da viagem

Veja como foi o décimo primeiro dia da viagem

Veja como foi o décimo segundo dia da viagem

Veja como foi o décimo terceiro dia da viagem

Veja como foi o décimo quarto dia da viagem

Veja como foi o décimo quinto dia de viagem

Veja como foi o décimo sexto dia de viagem

Fotos: Érico Hiller

Joel Silveira Leite

Joel Silveira Leite é jornalista e pós graduado em Semiótica e Meio Ambiente. Diretor da Agência AutoInforme, responde pelos sites AutoInforme e EcoInforme. Apresenta o Boletim AutoInforme nas rádios Bandeirantes, Band News e Sulamérica Trânsito. É colunista em várias publicações.

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